ORIGEM BRASILEIRA
Uma história de seleção
A formação do Tabapuã ganhou força na década de 1940. Seu núcleo histórico mais conhecido é a Fazenda Água Milagrosa, em Tabapuã, São Paulo, com o trabalho dos irmãos Alberto e Rodolpho Ortenblad.
Segundo a ABCT, um bezerro mocho recebido em 1940 deu origem ao fundador T-0, cujo fichário foi organizado a partir de 1943. Sua composição racial não era precisamente conhecida; o relato histórico aponta provável origem Nelore e Guzerá.
A ABCZ reconhece também a contribuição de criadores de diferentes estados. O padrão racial foi estabelecido em 1971, na etapa provisória de reconhecimento. Em 1981, veio o reconhecimento definitivo como raça.
Década de 1940Formação e seleção da raça
1971Padrão racial e reconhecimento provisório
1981Reconhecimento definitivo
Naturalmente mocho
A ausência de chifres integra a raça desde sua formação. É uma característica útil ao manejo, por reduzir os riscos associados aos chifres no transporte e na convivência entre animais.
O padrão da ABCZ valoriza temperamento ativo e dócil. A docilidade deve ser observada em cada indivíduo e continua sendo um critério de seleção.
Padrão racial
Pelagem branca ou cinza, pele escura e flexível, pelos curtos, cupim bem implantado e musculatura distribuída pelo corpo compõem o padrão da raça. As orelhas são médias e pendentes.
A identificação racial envolve o conjunto de características e o registro genealógico; não se resume à cor da pelagem e à ausência de chifres.
Habilidade materna e reprodução
A habilidade materna é uma característica valorizada no Tabapuã. Na cria, importa acompanhar o desenvolvimento dos bezerros, a regularidade dos partos e a condição corporal das matrizes.
Fertilidade e precocidade dependem da genética, da nutrição, da sanidade e do manejo. Não são resultados garantidos apenas pela escolha da raça.
Adaptação à produção tropical
A Embrapa inclui o Tabapuã entre as raças com bons resultados de produção nas regiões tropicais úmidas, em publicação voltada à bovinocultura de corte no Pará.
A escolha dos animais deve considerar as condições da fazenda e seu objetivo produtivo, com pastagens, suplementação e cuidados sanitários adequados.
Desempenho medido, seleção fundamentada
O Tabapuã participa de programas de melhoramento como o PMGZ, da ABCZ, e o programa da ANCP. As DEPs — Diferenças Esperadas na Progênie — ajudam a estimar o mérito genético para características de crescimento, efeito materno, reprodução e carcaça. Devem ser interpretadas com sua acurácia e o objetivo de cada acasalamento.
Em um estudo apresentado em 2019, a Embrapa comparou 40 touros Tabapuã e 120 Nelore, com idade média de 18 meses, a pasto com suplementação. Não foram detectadas diferenças estatisticamente significativas nas características de crescimento, reprodução e carcaça avaliadas. O resultado demonstra potencial nas condições estudadas, sem estabelecer superioridade universal entre raças.
A Embrapa também avaliou a eficiência alimentar de touros Tabapuã em 2021/2022, medindo consumo, ganho de peso e carcaça. Isso permite distinguir crescimento de eficiência: o animal que mais ganha peso não é necessariamente aquele que utiliza melhor o alimento.
Características gerais da raça não substituem os dados de cada rebanho. Resultados produtivos devem ser demonstrados por registros e avaliações dos próprios animais.